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07 Agosto 2015
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DSC 0808Num mundo cada vez mais tecnológico, os jovens vão se tornando cada vez mais distantes dos velhos hábitos: ler um livro, ouvir um disco, escrever uma carta, expressar sua criatividade por meio de uma atividade manual. Por incrível que pareça, existe algo que chama a atenção dos jovens, mesmo sendo desligado da tomada: o grafite.

A vertente mais conhecida da arte urbana chegou para ficar. E faz sucesso entre os jovens porque dialoga com o seu universo. Não é raro encontrarmos grafites que aludem a personagens de desenho animado, história em quadrinhos, seriados de televisão.

Astros e estrelas da música e do cinema são os “personagens” preferidos da turma que aposta no stencil – técnica de pintura a partir de um molde vazado. Sem falar nos adesivos, que podem ser impressos em casa, a partir de imagens encontradas na internet.

Transpor o universo criativo do grafite para o ambiente educacional proporciona aos alunos uma experiência única – a de vivenciar a arte urbana em um local seguro, com incentivo dos professores, e para o prestígio dos colegas.

Aira Ocrespo Pintura feita no tradicional Espaco Cultural Viaduto de MadureiraO grafiteiro Airá Ocrespo, responsável pela realização de inúmeras oficinas com alunos do Ensino Médio, diz que a tinta spray é uma ferramenta muito expressiva. “Você aperta uma válvula e sai um jato. É moderno, ágil. Os jovens gostam. Depois, eles se ligam não só no ato de grafitar, mas também nas formas, nas cores. E para isso precisam estudar. Eles começam a perceber o contexto da arte”, diz.

Se pensarmos que a origem do grafite é a cultura hip-hop, podemos sonhar com oficinas de redação, canto e dança, de onde sairão os melhores rappers e b-boys da escola. A roda de improviso consistindo em uma batalha de rimas... imagine que bacana...
Da experiência internacional, Ocrespo tirou a seguinte conclusão: “Ensinamos uma novidade, apesar de o movimento ter surgido lá. Nossas instituições receberam o movimento de outra maneira”. É o grafite carioca fazendo escola.

OsGêmeos: um exemplo inspirador

Os GemeosSinônimo de sucesso internacional, a dupla de irmãos idênticos OsGêmeos, de São Paulo, realiza um trabalho inspirador por onde passa. Seus grafites guardam uma forte relação com a literatura de cordel e com a estética nordestina de modo geral.

A dupla retrata o povo brasileiro de modo lúdico, porém contundente. Um trabalho que embeleza as cidades, mas propõe uma reflexão sobre a sociedade.

“Nosso trabalho é valorizado não só pelas características próprias, mas também pela abordagem social. O movimento ganhou um traço social e, hoje, vários países recorrem ao Brasil para aprender sobre nossas ferramentas socioeducativas”, comentou Ocrespo, em uma entrevista publicada na internet.

Durante dois anos, ele liderou uma turma de 20 alunos e, nesse tempo, pôde acompanhar seu amadurecimento enquanto indivíduos e artistas. “Eles ficam mais sensíveis para o que acontece ao seu redor. Sem falar na autoestima. A pessoa se sente mais capaz quando ela é criadora.”

Grafite para fazer na escola

marcelo eco 8A cidade do Rio está repleta de intervenções urbanas e não apenas de grafites. No caminho para as aulas, milhares de jovens transitam pelas ruas em contato direto com as diferentes vertentes da arte da rua. É natural que eles gostem de falar sobre isso, lembrar os desenhos mais legais, e, quem sabe, compartilhar as fotos que fizeram no celular...

Toda a diversidade da arte urbana pode resultar em experimentos incríveis na própria escola! Além do grafite, os alunos podem se expressar por meio do stencil, do adesivo, etc. Veja a diferença entre cada técnica:

• Grafite – Arte produzida com tinta spray ou látex, demanda habilidade na criação do desenho e em sua transposição para a superfície a ser pintada.
• Stencil – Molde vazado que permite transferir uma figura recortada para uma superfície plana qualquer. Pode ser feito com acetato, plástico, papelão ou qualquer outro material resistente. A tinta pode ser spray ou de parede, sendo que para essa última, usa-se um rolinho na aplicação.
• Adesivo – Uma figura na cabeça; uma impressora na mão. A mesma imagem pode ser reproduzida em etiquetas autoadesivas que, depois de prontas, servem para decorar objetos pessoais, ambientes privados e até mesmo a escola, se os diretores concordarem.
• Fotografia – Basta ter uma câmera para os estudantes documentarem um grafite que encontram no caminho de casa para a escola, e compartilhar, em sala de aula, seus achados. Mais do que isso, podem, depois, trabalhar sobre o desenho.

moto all 036Com tantas opções de técnicas, vamos listar algumas atividades para o professor promover com seus alunos.

Apresentações em grupo

Desde quando as paredes ou os muros são usados como suporte para uma criação visual? Quando o grafite passou a ser considerado modalidade de arte? Essas e outras perguntas podem ser lançadas na turma, para estimular um ciclo de apresentações em grupo.

Possíveis tópicos:

• Arte rupestre;
• anos 1970;
• cultura hip-hop;
• pop art;
• estética dos quadrinhos.

A oportunidade permite:

• Lembrar a tradição mexicana do muralismo, e de um movimento artístico bastante importante por aqui: o modernismo. Tanto no Brasil quanto em outros países da América Latina, os muros foram usados como suporte por vários artistas, entre eles o brasileiro Di Cavalcanti (1897-1976) e o mexicano Diego Rivera (1886-1957).
• Realizar entrevistas com familiares, amigos, pessoas na rua e proprietários de imóveis que tiveram seus muros desenhados. Ouvir os dois lados de uma mesma história estimula o senso crítico e a capacidade de interlocução.
• Você conhece um grafiteiro? Ao fazer a pergunta em sala de aula, propor uma eventual conversa com jovens que têm ou tiveram uma relação prévia com o grafite. A partir deles, trabalhar sobre noções de pintura artística e pichação.
• A internet está repleta de vídeos, filmes e documentários sobre o grafite. Toda a turma ou toda a escola pode documentar as atividades e exibir para os colegas numa exposição virtual.

quadrinhos guia pratico

Estratégias:

• Leitura e interpretação de grafites com texto.
• Descrição de personagens e identificação de referências (no grafite, na publicidade e na televisão)
• Aproveitando o gancho dos Jogos Olímpicos, propor a releitura de algum esporte participante.
• Hall of fame – Exposição de trabalhos produzidos pelos alunos ao longo das atividades de arte-educação. As criações serão mostradas, lado a lado, compondo um enorme painel.
• Clique grafite – Convida-se a turma a fotografar os grafites que encontram no percurso casa-escola, escola-casa. As fotografias são publicadas em um blog, para que os alunos possam compartilhar sua arte e divulgar, também, o trabalho dos amigos.

O trabalho vai permitir compreender, por meio de relatos pessoais e visões complementares, as nuances que colorem a discussão: legal x ilegal; bonito x feio; arte x vandalismo.

Gilberto de Abreu, jornalista e especialista em artes visuais.

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