23 Março 2016
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 MEGASSAUDAVEL 2016 tmb

Esta é a pergunta que fazemos para nossos alunos do primeiro ano de Medicina, quando começamos a prepará-los para desenvolver atividades em escolas públicas. Como falar de saúde sem saber o que eles pensam a respeito de um tema tão ligado à vida de cada um de nós? Como orientá-los para ter empatia com os alunos sem antes ouvi-los?

Inicialmente, cada um lista três palavras que resumem o que pensam sobre saúde. Depois, eles se reúnem em cinco grupos e selecionam as três mais importantes. Vamos escrevendo as palavras no quadro: bem-estar, qualidade de vida, equilíbrio, alimentação, higiene, direito, saúde física e mental...

Num segundo momento, cada grupo discute uma definição de saúde:

  • “Saúde é a capacidade para o amor e o trabalho criativo". (conceito para a Psicanálise)
  • “Saúde é a relação harmônica do indivíduo consigo mesmo, com a natureza e com os demais, na busca de uma tranquilidade espiritual". (Índios do Equador)
  • “Saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não somente a ausência de enfermidade ou invalidez”. (Organização Mundial da Saúde, 1948)
  •  “Saúde é a resultante das condições de alimentação, habitação, educação, renda, meio-ambiente, trabalho, transporte, emprego, lazer, acesso e posse da terra e acesso a serviços de saúde. É, assim, antes de tudo, o resultado das formas de organização social da produção, as quais podem gerar grandes desigualdades nos níveis de vida”. (Oitava Conferência Nacional de Saúde – 1986)
  • “A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem a redução do risco de doenças e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”. (Constituição Brasileira de 1988)

Em seguida, compartilham sua reflexão com toda a turma. Novas palavras apontam a complexidade do tema: amor, trabalho criativo, autoestima, natureza, espiritualidade, paz, habitação, transporte, lazer, saneamento básico, acesso a serviços de saúde, justiça social...

Discutimos desigualdades e a importância dos determinantes sociais da saúde, “condições sociais nas quais a vida transcorre”. (Tarlov, 1996) Vamos percebendo que o momento histórico e a responsabilidade social de diferentes atores mudam a forma de compreender e promover a saúde. Que, por ser tão complexa, não pode ser responsabilidade de um único setor: toda a sociedade tem uma parcela de responsabilidade; que podemos atuar no plano individual e no coletivo; que temos diferentes desejos e prioridades, e essa subjetividade precisa ser considerada; que somos seres sociais e precisamos nos relacionar, pois temos um enorme potencial para contribuir com a sociedade.

Apresentamos também o vídeo Estatuto do Futuro, do Cecip, sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente. O filme emociona e faz brotar novas palavras, ampliando a compreensão sobre a saúde da criança e do adolescente: direitos e deveres, família, brincar, educação, sonhos, perspectivas de futuro, participação social...

Dúvidas, polêmicas, abertura para o novo. E os seus alunos? O que pensam sobre saúde? O que desejam discutir?

Para saber mais:

Portal Determinantes Sociais em Saúde: portal e observatório sobre iniquidades em saúde: http://dssbr.org/site/

Organização Mundial da Saúde. Diminuindo diferenças: a prática das políticas sobre determinantes sociais da saúde: documento de discussão. Rio de Janeiro: OMS; 2011. Disponível em : http://cmdss2011.org/site/wp-content/uploads/2011/10/Documento-Tecnico-da-Conferencia-vers%C3%A3o-final.pdf

 

Recursos:

Estatuto do Futuro – Cecip: https://www.youtube.com/watch?v=gXO1lCO5iIU

 

Viviane Manso Castello Branco é pediatra da Secretaria Municipal de Saúde/RJ

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