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Patrimônio Imaterial do Rio
21 Outubro 2014
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Entrada FSC Foto Marcelo CarvalhoGuaraná Jesus, carne de sol, manteiga de garrafa, repentistas, literatura de cordel e muito forró. Todas essas delícias e expressões culturais se reúnem em um pedacinho do Nordeste no Rio de Janeiro: a Feira de São Cristóvão. Estabelecida desde 1982 no Centro Municipal Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, lá os migrantes moradores da Cidade Maravilhosa podem matar a saudade da terra natal, enquanto turistas e cariocas têm a possibilidade de conhecer um pouco da região mais quente do Brasil.

O pavilhão abriga cerca de 700 barracas com comida típica, ingredientes e temperos da culinária regional, artesanato e objetos do folclore nordestino. O comércio é animado por trios e bandas, grupos de dança, cantores e poetas populares. O espaço fica aberto ao público de terça a quinta-feira, das 10h às 18h, e no fim de semana, das 10h de sexta até as 22h de domingo.

Desde 1945

Os primeiros movimentos por ali começaram em 1945, quando retirantes chegavam ao Campo de São Cristóvão em caminhões, para trabalhar na construção civil. O fim da viagem e o reencontro com parentes e conterrâneos que já estavam no Rio eram comemorados com muita música e comida. Essa celebração informal deu origem à Feira, que permaneceu no entorno do Campo por 58 anos.

Nos anos 1960, foi construído, com projeto do arquiteto Sérgio Bernardes, o Pavilhão de São Cristóvão, que tinha o objetivo de abrigar exposições internacionais. Até o final dos anos 1980, o local recebeu importantes eventos, como o Salão do Automóvel e feiras industriais. Mas isso não afastou os comerciantes, e as barracas eram montadas e desmontadas todos os fins de semana. 

A Feira de São Cristóvão em 1995 Foto Arquivo O DiaEm 2003, o antigo pavilhão foi reformado pela Prefeitura e a Feira – já legalizada desde 1982 – começou a funcionar dentro do Centro Municipal Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas. Os trabalhadores ganharam boxes de alvenaria e cobertura, no espaço de 34 mil metros quadrados. O local possui três palcos e cinco praças com nomes de artistas e cidades nordestinas. Uma estátua em tamanho natural de Luiz Gonzaga, “O Rei do Baião”, dá as boas-vindas a quem chega.

Turismo e shows

Com estacionamento para 800 veículos e recebendo 300 mil pessoas todo mês, hoje em dia a Feira integra oficialmente o roteiro turístico da cidade, como uma opção para comprar, comer e se divertir. O visitante é brindado com tudo que é próprio do Nordeste brasileiro e pode ouvir ritmos característicos dos nove estados da região, como forró, xote, baião, xaxado, brega, repente, embolada, martelo, arrasta-pé, maracatu, entre outros. 

Barraca nordestina foto Alexandre Macieira

As praças Padre Cícero, Frei Damião, Mestre Vitalino e Câmara Cascudo têm, na sua essência, o forró tradicional. Já a Praça Catolé do Rocha mostra a velocidade dos repentistas e a literatura dos cordéis. Cada um desses núcleos busca expressar a diversidade das artes do povo do sertão.

Além das praças, os palcos também apresentam uma programação musical constante. Os espaços João do Vale e Jackson do Pandeiro recebem o projeto Forró da Feira nas sextas, sábados e domingos. Diversas bandas – como Mega Som, Conexão Carioca, Lunar, Trio Xodó, Grupo Forró Balança, entre outras – se apresentam em sistema rotativo.

Por tudo isso, em dezembro de 2008, a Prefeitura declarou o Centro Municipal Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas Patrimônio Cultural dos Habitantes da Cidade do Rio de Janeiro, a fim de preservar o espaço e as características nordestinas ali representadas. Em 2010, uma lei federal tornou a Feira de São Cristóvão Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil.

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